No comitê de campanha de Nikolas Ferreira (PL-MG), em Belo
Horizonte, a mãe do deputado, Maria Ruth Ferreira de Oliveira, respondeu neste
domingo (4) às ofensas da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, com a
frase que circulou nas redes: “Cala a boca, Janja”, que completou: “mexeu com o
piá errado”.
Ruth levantou o coro de “cala a boca, Janja” entre
apoiadores que acompanhavam a apuração e, apontando para o telão com os números
do Tribunal Superior Eleitoral, ironizou: “Olha aqui o piá de bosta”. No mesmo
painel, uma montagem exibia a expressão “piá de ouro”, em contraste com o
xingamento usado pela primeira-dama. O público repetiu gritos contra Janja.
Nikolas conquistou 3,1 milhões de votos, maior votação de um deputado federal
na História do Brasil.
A troca de ataques vinha da reta final da campanha. Em 29 de
setembro, em ato de Lula (PT) em Salvador, Janja chamou Nikolas de “piá de
bosta”. Ela explicou que a expressão é usada no Paraná — “piá” significa menino
— para quem “faz alguma coisa errada” e afirmou que o deputado deveria “lavar a
boca” antes de falar do presidente e ainda precisaria “comer muito arroz com
feijão” para se comparar a ele. Lula, no mesmo palanque, referiu-se ao
parlamentar como “canalha”.
Janja repetiu o termo nos dias seguintes. Em Belo Horizonte,
na sexta-feira (2), disse “um salve para todo mundo de Minas Gerais, menos para
o piá de bosta” e que “Minas é muito maior que esse piá de bosta”. No Rio de
Janeiro, voltou a usar a expressão. Nikolas respondeu em comício e nas redes
que o ataque seria “um elogio” e perguntou por que “um jovem de 30 anos, que
nasceu na favela”, teria feito a primeira-dama “perder a linha”.
O estopim foi um vídeo em que Nikolas criticou uma fala de
Lula sobre mulheres serem “tocadas” desde cedo, atribuindo conotação sexual ao
trecho. A campanha do presidente sustentou que a declaração foi retirada de
contexto — ligada, segundo o Planalto, a exames preventivos e à resistência
masculina aos cuidados de saúde — e acionou o TSE pedindo a retirada das
publicações.
Nas urnas, a resposta veio em votos. Com a
apuração praticamente encerrada em Minas Gerais, Nikolas foi reeleito com cerca
de 3,119 milhão de votos, segundo registros da noite de domingo, e se tornou o
deputado federal mais votado da história do Brasil. Superou a própria marca de
2022, quando recebeu cerca de 1,49 milhão de votos e já havia sido o mais
votado do país naquele pleito, e ultrapassou o recorde anterior de Eduardo
Bolsonaro, de cerca de 1,84 milhão em 2018. O segundo colocado na disputa histórica
desta eleição foi Lucas Pavanato (PL-SP), com cerca de 3,038 milhão de votos.