O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em
maio. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC), 81,6% dos lares possuíam algum tipo de dívida no período,
acima dos 80,9% registrados em abril e dos 78,2% observados em maio do
ano passado.
O resultado marca o quinto mês consecutivo de alta e foi
divulgado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor
(Peic). O
levantamento considera compromissos como cartão de crédito,
cheque especial, crédito consignado, empréstimos pessoais, carnês de
loja e financiamentos de veículos e imóveis.
A inadimplência também apresentou avanço, passando de 29,7% em
abril para 29,9% em maio. Já o percentual de famílias que afirmam não
ter condições de quitar as dívidas em atraso permaneceu estável em
12,3%. O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de
endividamento, citado por 84,6% das famílias. Em relatório, a CNC
destacou que a modalidade preocupa devido aos juros elevados do crédito
rotativo, em 428,3% ao ano.
Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, a
inadimplência subiu 1,7 ponto percentual em relação ao mês anterior,
alcançando 38,6%. Já a parcela de consumidores que se consideram muito
endividados chegou a 17%, o maior nível desde junho de 2024.
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, os juros elevados
continuam pressionando o orçamento doméstico e reduzindo o poder de
compra das famílias, mesmo com o processo de queda da taxa Selic
ocorrendo de forma gradual.
Por outro lado, a entidade identificou sinais de alívio. O
percentual de famílias com dívidas superiores a um ano aumentou para
33,3%, enquanto o comprometimento médio da renda recuou para 29,3%.
Entre os inadimplentes, 49,3% possuem contas atrasadas há mais de 90
dias, menor índice do ano, e o tempo médio de atraso caiu para 65 dias.
Diante da alta do endividamento nos próximos meses, a CNC avalia que as
atenções do mercado se voltam para o programa Desenrola 2.0, lançado
pelo governo com a expectativa de estimular a renegociação de débitos e
reduzir a inadimplência.