A Polícia Federal investiga as relações do empresário Cléber Ribas,
dono da empresa de informática 3Structure, com Fábio Luís Lula da Silva,
o Lulinha, filho de Lula (PT). A 3Structure recebeu R$58 milhões em
contratos federais desde o início do atual governo. Reportagem da
revista Veja, publicada neste domingo (30 de agosto de 2026),
dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa Borges, detalha
mensagens, contratos e um acordo penal firmado pelo empresário.
Um dos três inquéritos da PF contra Lulinha envolve a Dataprev e
Ribas. Mensagens em poder da polícia mostram que o empresário contratou a
lobista Roberta Luchsinger — descrita pelos investigadores como sócia
oculta de Lulinha e com trânsito em Brasília — para obter mais contratos
na Dataprev e no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social
(MDS). Também foram obtidas mensagens de Lulinha orientando a lobista a
“emitir NF” (nota fiscal) para ser paga por Cleber, o que tem sido
interpretado como provável pagamento pelos “serviços prestados” por
Lulinha, investigado por tráfico de influência.
Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele queria
falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma
questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”. Em
abril, a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de
Fernando Bittar, sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc
contratar eles”, escreveu ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com
Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião
com Fábio e comentou a posse do novo presidente da Dataprev.
Enquanto negociava com o governo, Ribas enfrentava outro problema. Em
setembro de 2024, assinou um acordo de não persecução penal com o
Ministério Público para não ser preso por corrupção. O MP concluiu que,
entre 2006 e 2010, o então presidente do Centro de Processamento de
Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), Adriano Niehues, recebeu R$
218 mil em vantagens indevidas da Consist Software Solutions Inc por
intermédio de Ribas. O empresário classifica o episódio como
“mal-entendido”.
Pelo acordo, Ribas se comprometeu a devolver valores a uma
entidade social, informar qualquer mudança de endereço ao juízo e se
abster de frequentar casas de prostituição e bares. Mesmo assim, ele
visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou dois contratos
com o MDS comandado pelo ministro Wellington Dias. Ribas afirma que tudo
ocorreu “dentro da legalidade”.
O empresário atribui o estreitamento da amizade com Lulinha a um
episódio pessoal. “Eu descobri um câncer em junho de 2024. Até então eu
conhecia o Fábio, mas convivia pouco com ele”, disse à Veja.
“Não sei se por conta do problema do pai e da mãe, ele resolveu se
aproximar. Quando fiquei careca e raspei a cabeça, ele raspou também.
Minha relação com o Fábio é de amizade, não é financeira.”