25 de agosto de 2026

MINISTÉRIO PÚBLICO DO RN RECORRE PARA MANTER EXPULSÃO DE PM CONDENADO PELA MORTE DE ZAIRA CRUZ

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recorreu da decisão liminar que suspendeu a expulsão do policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria e permitiu o retorno dele aos quadros da Polícia Militar. O recurso foi apresentado pela Procuradoria-Geral de Justiça ao Tribunal de Justiça (TJRN).

 

Pedro Inácio foi condenado pelo Tribunal do Júri a 20 anos de prisão pelo homicídio qualificado e pelos abusos praticados contra a estudante Zaira Dantas Silveira Cruz. O crime aconteceu em março de 2019, dentro de um carro, em Caicó, no Seridó potiguar.

 

A expulsão do policial havia sido determinada pelo Comando-Geral da PM após a corporação anular uma punição administrativa anterior. Em 2024, um Conselho de Disciplina havia aplicado ao policial uma sanção de 30 dias de prisão disciplinar.

 

No recurso, o MPRN afirma que a primeira punição foi inadequada e desproporcional diante da gravidade dos fatos apurados. Segundo o órgão, a pena de 30 dias sequer chegou a ser cumprida porque Pedro Inácio já estava preso preventivamente por determinação da Justiça criminal.

 

O Ministério Público já havia recomendado que o Estado reavaliasse a punição. A partir dessa recomendação e do poder de revisão da administração pública, o Comando-Geral da Polícia Militar anulou a decisão anterior e determinou a expulsão do policial.

 

PF INVESTIGA ‘OPERADOR’ USADO POR AMIGA DE LULINHA PARA PAGAMENTOS EM DINHEIRO VIVO

A Polícia Federal identificou um operador financeiro utilizado pela lobista Roberta Luchsinger para realizar saques em dinheiro vivo e pagamentos em espécie. Uma das linhas de investigação aponta que esse intermediário pode ter pago passagens aéreas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (T). Roberta e Lulinha são investigados por suspeitas de tráfico de influência no governo.

 

Os investigadores encontraram no celular da lobista conversas com o homem, identificado como Ulisses Barbosa, que também atuava como motorista, segundo informou o jornalista Aguirre Talento em reportagem no Estadão. Com base nesses elementos, a PF informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em um dos inquéritos sobre o caso, que pretende aprofundar a análise sobre o operador — o que, segundo a própria corporação, pode gerar suspeitas de lavagem de dinheiro.
 
 
A defesa de Lulinha afirmou que a PF não tem comprovação de que os saques tenham sido usados para pagar viagens do empresário e que ele não tem qualquer relação com o suposto operador. “Não dá pra dizer que esses pagamentos da agência de viagens têm relação com o pagamento de viagens do Fábio”, declarou o advogado. As defesas de Roberta Luchsinger e do motorista não se manifestaram.
 
 
Em uma das mensagens transcritas pela PF, Roberta ordena ao operador: “Deposita 50 mil nessa conta tb”. A suspeita é que os depósitos em dinheiro vivo servissem para dificultar o rastreamento das despesas. O pagamento à agência de viagens, segundo a investigação, coincidiu com uma viagem realizada por Roberta e Lulinha.
 
 
As novas descobertas reforçam indícios anteriores apontados pela PF, com base em relatórios de inteligência financeira, de que recursos de Roberta teriam sido usados para custear a agência de viagens frequentada por Lulinha.
 
 
A corporação também suspeita que a lobista despendia cerca de R$100 mil mensais para manter uma residência usada por Lulinha. Em diálogo de 2025 obtido pelo Estadão, Roberta relatou a um empresário ter dito a Lulinha: “Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$100 mil, então assim, não vai mais dar pra ter essas passagens”. Segundo ela, Lulinha respondeu que pediria os pagamentos diretamente aos empresários.
 
 
No domingo, Lula comentou as investigações envolvendo o filho em entrevista à Record. Disse tratar o caso com “muita seriedade” e afirmou não interferir nas apurações: “Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. […] Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele”.