Uma investigação da Polícia Civil do Ceará apura como a
advogada Paloma Gurgel de Oliveira Cerqueira Bandeira fez ameaças em uma
suposta tentativa de extorsão contra o deputado estadual do Ceará Simão Pedro
(PSD). A advogada cobrava do parlamentar cerca de R$ 121 mil que ele
supostamente devia a uma cliente dela. Paloma é conhecida por representar
'Marcinho VP', um dos principais chefes do Comando Vermelho no Brasil, e também
é apontada como integrante da facção.
A advogada está presa desde janeiro deste ano em uma sala do
Comando-Maior da Polícia Militar do Rio Grande do Norte - onde ela já estava
quando foi cumprido um novo mandado de prisão preventiva contra ela, em
decorrência da denúncia de extorsão. Em 22 de maio deste ano, a Justiça negou
um pedido de liberdade da advogada.
A investigação policial mostrou como Paloma procurou o
deputado e assessores por várias vezes, via WhatsApp, cobrando os valores por
meio de ameaças. “Não sei se pra vocês vale um fuzil ou 9 milímetro e .40
basta”, pergunta a advogado, em um trecho da conversa, referindo-se a calibres
de armas de fogo.
A investigação começou após o deputado Simão Pedro e um
assessor dele, Sebastião Vieira de Negreiros Neto, registrarem um boletim de
ocorrência, em novembro de 2025, contra uma mulher chamada Bárbara Pinheiro,
alegando que ela havia o ameaçado após um encontro no gabinete dele, na
Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), em 23 de outubro de 2025.
Simão disse que só tinha visto Bárbara uma vez, no gabinete,
e a conhecia apenas “de vista” devido a questões políticas no município de
Milhã, no interior do Ceará. Simão alegou que Bárbara tentou corrompê-lo.
Posteriormente, Bárbara acionou Paloma para cobrar o suposto valor que o
político devia a ela, o que levou às ameaças da advogada.