22 de janeiro de 2014

TRAVESTIS BRASILEIRAS SÃO DETIDAS POR SE VESTIREM DE MULHER EM DUBAI

downloadUma travesti brasileira que enfrenta um processo na Justiça dos Emirados Árabes Unidos por ter identidade masculina e se vestir como mulher contou em entrevista por telefone, como ocorreu sua detenção e como estão sendo os dias no país até sua nova audiência, marcada para dia 23 de março. A brasileira, que não quis ter o nome divulgado, foi com uma amiga, também travesti, a passeio na metade de novembro ao emirado, e, segundo ela, foi expulsa de uma boate no dia 13 de dezembro.

"Estava tudo indo bem no país, já tínhamos ido a outras discotecas aqui e nada tinha acontecido, não tivemos nenhum tipo de problema. Foi justamente nesta discoteca que fomos que os seguranças perceberam que éramos travestis. Não chegamos a ficar nem 20 minutos no local, nos chamaram e pediram nossos documentos. Quando viram os documentos, nos tiraram pra fora da boate, e foram bem grosseiros, mal-educados, mesmo. Como qualquer pessoa normal, pensamos: 'vamos ligar para a polícia, porque isso não pode acontecer'. A gente estava bem vestida, não estávamos com roupas curtas nem nada, eu estava com um macacão longo. A gente chamou a polícia, que não resolveu e nos levou para uma unidade. Ficamos dois dias presas", contou a brasileira, que diz se arrepender de ter chamado a polícia.

Segundo o Itamaraty, a primeira informação de que elas estariam detidas chegou à embaixada brasileira em 23 de dezembro. A assessoria de imprensa do ministério afirmou que está em contato permanente com elas e com as autoridades judiciárias dos Emirados "para garantir que tenham o mais amplo direito à defesa". As brasileiras, no entanto, disseram que estão sem advogados. Elas estão se mantendo com recursos próprios. "Temos uns amigos que estão ajudando a gente como podem, temos um pouquinho de dinheiro e estamos tentando nos virar e guardar."

A dupla não pode deixar Dubai, pois os passaportes estão retidos pelas autoridades. O Itamaraty não soube informar a pena máxima que elas podem receber, mas uma das possibilidades é a de que sejam deportadas.

A brasileira disse que foi bem tratada na cadeia. "Ficamos em celas separadas e as celas foram cobertas para ninguém nos ver. Após uma audiência, elas foram liberadas, mas os passaportes continuaram retidos. "Tínhamos conhecido umas filipinas que fazem a unha, e fomos procurá-las pedindo ajuda. Uma delas nos levou para casa, nós dormimos lá algumas noites e conhecemos através delas essa família de filipinos. A casa é minúscula, eles acordam muito cedo pra trabalhar e a gente acaba tirando a privacidade deles, mas eles são maravilhosos, não queríamos perturbar. Queremos ir para um quarto só pra mim e pra minha amiga."

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