Integrantes
do governo de Donald Trump ofereceram, em maio, acordos de cooperação
internacional entre os Estados Unidos e o Brasil, exigindo como contrapartida
que facções brasileiras que atuam do narcotráfico internacional, como o PCC e o
Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como terroristas. Mas o governo de
Lula (PT) respondeu que a legislação impede o país de relacionar tais
organizações criminosas ao terrorismo, por não haver inclinação ideológica, mas
a busca de lucro, como motivação dos crimes.
A
recusa de ajuda foi ressaltada nesta quarta-feira (29) pelo advogado
norte-americano Martin De Luca, que defende empresas do presidente dos EUA, a
Trump Media. Segundo ele, o status de narcoterrorismo para as facções liberaria
todo o poder das ferramentas antiterroristas americanas, como o
compartilhamento de informações, rastreamento financeiro, congelamento de
ativos e sanções.
O
auxiliar jurídico de Trump destacou que tais recursos negados pelo Brasil
seriam os mesmos que os norte-americanos direcionam para desmantelar, por
exemplo, a rede global do Estado Islâmico, inclusive financeiramente. E
classificou como “inevitável” a sangrenta guerra com 119 suspeitos e quatro
policiais mortos, travada ontem entre forças de segurança do Rio de Janeiro e
criminosos do Comando Vermelho, porque o governo federal está paralisado ou
relutante em confrontar as facções.
De
Luca atribuiu a uma desculpa de “soberania” à recusa do governo de Lula de
firmar parceria antiterrorismo com os EUA. E acusou o petista de usar o mesmo
argumento para defender “a censura, a corrupção em massa e a inação enquanto os
brasileiros comuns vivem cada vez mais sob o domínio do crime organizado”.
“Agora,
essas mesmas facções estão sobrevoando o Rio com drones e atirando contra a
polícia com armas militares. E, em vez de apoiar as forças de segurança, o
governo federal decidiu investigar os policiais e os funcionários públicos que
tiveram a coragem de confrontá-los. O governo federal brasileiro precisa
decidir que tipo de soberania deseja: uma que proteja seu povo ou uma que
proteja seus criminosos”, concluiu o advogado de Trump.
Na semana passada, ministro da Justiça de Lula, Ricardo Lewandowski,
argumentou que PCC e CV não podem ser considerados grupos
narcoterroristas pelo governo, porque a legislação brasileira exige que
“inclinação ideológica”, entre outros requisitos para serem relacionados
a terrorismo.