O Departamento de Estado dos Estados Unidos enviou representantes do secretário de Estado, Marco Rubio, ao território brasileiro para tratar dos perigos e da potencial disseminação do Primeiro Comando da Capital (PCC). A confirmação do governo americano, obtida pelo jornal O Globo, sinaliza uma vigilância crescente sobre a atuação das organizações criminosas que operam a partir do Brasil.
Questionada sobre o impacto dessas facções, a diplomacia dos EUA respondeu, por meio de nota oficial, que “os Estados Unidos consideram que organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o CV, representam ameaças significativas à segurança regional em razão de seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”.
A pasta norte-americana optou por não confirmar antecipadamente se haverá uma reclassificação desses grupos para a categoria de organizações terroristas. No entanto, o órgão enfatizou que os EUA permanecem “plenamente comprometidos em adotar medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividade terrorista”.
O posicionamento gerou reações imediatas na política brasileira. Edinho Silva, presidente do Partido dos Trabalhadores, manifestou-se contrariamente à tese de enquadrar as facções como entidades terroristas. O dirigente partidário argumenta que tal medida, defendida pelo governo de Donald Trump, poderia servir de pretexto para ingerências externas no Brasil e para a imposição de retaliações econômicas, caso Washington sinta seus interesses sob risco.
Segundo a avaliação de Edinho, as mudanças legislativas promovidas pelos EUA após o 11 de setembro de 2001 facilitam operações fora das fronteiras americanas. Ele sustenta que rotular um agrupamento como terrorista concede à Casa Branca ferramentas mais amplas para intervir em outras nações.
Diante do impasse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja uma agenda oficial nos Estados Unidos para um encontro com Donald Trump, que deve ocorrer ainda na primeira metade do ano. A expectativa é que o mandatário brasileiro utilize o diálogo direto para tentar demover os americanos da ideia de oficializar essa classificação.

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