5 de setembro de 2018

HADDAD É DENUNCIADO POR CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO

O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-prefeito de São Paulo e candidato a vice-presidente Fernando Haddad (PT) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha por suspeita de pedir R$ 2,6 milhões à construtora UTC Engenharia para pagamento de dívidas de campanha. 




Em nota, a assessoria de Haddad demonstrou “surpresa” com a denúncia em período eleitoral, afirmando que o delator do caso, o ex-presidente da UTC teve delações negadas pela Justiça (veja mais abaixo). 





Segundo a denúncia, o pedido de recursos ao ex-presidente da UTC Ricardo Pessoa, entre abril e maio de 2013, foi feito por meio do então tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que pretendia obter inicialmente R$ 3 milhões para o pagamento de trabalhos feitos à campanha por uma gráfica que pertencia ao ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza, conhecido como “Chicão”. 





O promotor Marcelo Mendroni, autor da denúncia, diz que Vaccari Neto “representava e falava em nome de Fernando Haddad”. 





O MP argumenta que houve um encontro pessoal do presidente da UTC com Haddad, conforme consta na agenda dele, após assumir a Prefeitura de São Paulo, em fevereiro de 2013. O documento aponta ainda que Ricardo Pessoa possuía uma “contabilidade paralela” relativa “a propinas pagas em decorrência de contratos de obras da UTC com a Petrobras, como “dívida a saldar em pagamentos indevidos de propinas” de R$ 5 milhões. 





O promotor, que integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos, diz que houve uma negociação direta para o pagamento da dívida da campanha com a gráfica entre a UTC e o diretor financeiro da gráfica, reduzindo o valor para R$ 2,6 milhões. 






A distribuição do dinheiro ocorreu, ainda segundo a denúncia, através de um esquema montado pela UTC por “contratos de prestação de serviço fictícios ou superfaturados”, de forma que os valores voltavam para a construtora e eram repassados a contas de caixa 2 junto ao doleiro Alberto Youssef, um dos delatores de esquemas de desvios de recursos públicos na Petrobras e no governo federal no âmbito da operação Lava Jato, investigada pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal.




Os pagamentos foram feitos através de Youssef de forma dissimulada para a gráfica de Chicão, afirma o MP: parte foi levada, em espécie, na garagem do escritório dele aos sábados pela manhã e parte transferida a contas bancárias por empresas e pessoas interpostas com o objetivo de dissimular a origem do dinheiro. 





Para o promotor, Haddad foi beneficiado “indiretamente” do pagamento e da dissimulação do dinheiro, e o PT, ‘diretamente”. “Ele foi beneficiário final do pagamento da dívida”, disse o promotor. 





Além de Haddad, também foram denunciados o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-deputado Francisco Carlos de Souza, o ex-presidente da UTC Ricardo Pessoa, o doleiro Alberto Youssef e o então diretor financeiro da construtora, Walmir Pinheiro Santana.

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